Capítulo 1.1 - Morte Aos Nerds!

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“Josh morreu!” disse Marvin, com lágrimas aos olhos. Toda a turma da aula de História olhava pra ele. Até que de repente, todos presentes, incluindo o professor, caíram na gargalhada.
                “O que é isso?! Vocês são loucos? Josh está morto! Como vocês podem rir disso?!”
                O professor Kamura, japonês baixinho que sempre detestou Marvin Neah, de repente parou de rir e começou a fitar intensamente os olhos castanhos de Marvin. “Seu amigo Josh era um zé-ninguém!” levantou as mãos para o teto e disse : - Com certeza era o pior aluno que essa maldita escola já teve!”
                Os alunos voltaram a rir, Marvin ficou vermelho de raiva. “Seu idiota!” gritou. “Quem você pensa que é?!” Neah pulou sobre o japonês e começou a socá-lo. Os alunos continuavam a rir e o garoto descontrolado e chorão espancava o professor frangote. Até que Kamura finalmente morreu, seu coração finalmente parou de bater e muito sangue cobria as roupas sujas de Marvin. O garoto estranhou como o sangue do professor japonês era diluído, quente e fedorento.
                Os alunos continuavam a rir com a situação , quando a secretária Maria, que estava substituindo o principal diretor do colégio , Quinn, entrou na sala. Negra, com cabelos Black Power , óculos e dentes amarelos, ela gritou : -Marvin, seu imbecil!
                De repente, ela levantou a saia, o garoto descontrolado se assustou com aquilo, mas aquele gesto não tinha nada de sensual. Maria puxou uma pistola e disse : - Esse é o seu fim!
                Os alunos começaram a gritar : - Mata! Mata! Mata esse bastardo!
                Maria puxou o gatilho e um estouro foi ouvido. A morte era algo interessante, Marvin não sabia, mas os segundos que vinham antes da morte eram todos em câmera lenta. Ele podia sentir o estouro e ver a bala de chumbo saindo do cano da pistola, era algo muito estranho, era igual ao filme Matrix.
                Mas aí tudo acabou, ele acordou com o barulho do despertador. Sentiu algo molhado, levantou o lençol e notou que estava todo molhado com sua urina. “Então isso era o sangue de Kamura?! Que tipo de pessoa mija na cama aos 16 anos?”
                Após a rotina matinal de tomar café, banho e de se arrumar para a escola. Marvin subiu em sua bicicleta e se dirigiu ao colégio com pressa.Logo sua mãe descobriria sobre os lençóis molhados e tiraria de sarro do filho durante a semana toda. No caminho encontrou Josh, seu amigo negro e careca que havia morrido em seu sonho sem sentido.
                “E aí, cara! Ficou sabendo que vão lançar histórias antigas do Homem de ferro em versão capa dura? E o melhor, o desenhista será John Romita!” disse Josh com entusiasmo. (Pra quem não sabe, John Romita foi um dos mais famosos desenhistas da Marvel de todos os tempos).
                “Fala sério... nós temos dezesseis anos, não podemos falar de quadrinhos toda hora!”
                “Mas, Marvin!” relutou Josh Bobby, “ Nós somos horríveis em esportes, somos virgens cheios de espinhas, não nos damos bem com garotas e nossos professores e nos acham ridiculamente “nerds”. Tudo que podemos fazer é falar sobre quadrinhos, pornografia, física e, não menos importante, sobre o robô que estamos construindo!”
                “Sai dessa, Josh! Aquilo nem é realmente um robô... a única coisa que ele vai fazer é nos dar as fórmulas que precisamos para calcular os mais diversos problemas matemáticos!”
                “Marvin! Esqueceu que ele também fará café sozinho?”
                Durante a aula de Matemática, Marvin estava muito entediado. O professor falava bobagens enquanto Neah desenhava em seu caderno. Como garoto de dezesseis anos, Marvin tinha uma imaginação fértil.
                Desenhava um avião de guerra soltando bombas em um asilo, velhinhas nuas e cheias de pelanca gritavam enquanto suas cabeleiras brancas estavam em chamas. Mas de repente alguém o cutucou, era Douglas, um baixinho de óculos, que mesmo tendo 17 anos, já sofria com a calvície. Muitos riam do calvo e as garotas o achavam ridículo, alguns diziam que ele tinha uma doença degenerativa que fazia com que envelhecesse precocemente.
                Marvin virou para o lado, Douglas apontou para a frente. Era o professor Nelson, negro, era forte como um Mister Universo e seu trapézio tinha “covinhas”. O professor olhava intensamente para o garoto desenhista e por fim disse: - Você não está prestando atenção, Sr. Neah?
                “Claro que estou... Você estava falando alguma bobagem sobre logaritmos, certo?”
                Como a maioria dos professores, Nelson não suportava Marvin Neah, aquele garoto branco era muito chato, nunca penteava os cabelos e não prestava atenção às aulas por que, de acordo com ele, as exatas do ensino médio eram muito fáceis e monótonas.
                O garoto terminou sendo obrigado a passar o intervalo inteiro conversando com o Diretor Quinn. Esta era um velho gordo, rabugento e violento. “Olha aqui, eu tenho uma régua de ferro bem pesada...” o diretor bufava como um touro. “Sei que estamos no século vinte e um, mas isso não vai me vir à mente quando eu usá-la para dar uma lição nessa sua banda branca!”
                Neah se assustou e , dando um sorriso falso, respondeu : - Isso é crime, Diretor Quinn.
                Enquanto isso, Josh, que não era da mesma turma de Marvin nas aulas de matemática, se perguntava por que estava tendo que passar o intervalo sem seu melhor amigo quando de repente alguém se sentou ao seu lado.
                “Joshua! Quanto tempo, hein?” Josh estranhou aquilo, era Liana Robbens, uma garota muito gata e charmosa. Mas ela só falara com ele uma única vez, por que tiveram que apresentar um trabalho de Geografia juntos na 4ª série.
                “Por que você tá falando comigo? A gente nem se conhece...”- disse nervoso, enquanto enfiava o dedo indicador no nariz para tirar uma meleca que o incomodava desde que acordou. (É... Josh era um cara bem direto e mal educado, podem crer).
                “Nossa, como você é mal educado!” disse Liana, com nojo.
                “Me desculpe! Eu estou muito nervoso...” se defendeu com as mãos trêmulas e sujas de meleca. “Eu nunca falo com garotas, as únicas pessoas do sexo oposto com quem falo diariamente são minha mãe, minha irmã e algumas tias velhas, e mesmo assim só quando estou com fome e não tem nada pronto na cozinha.”
                Liana fitou o garoto negro com os olhos arregalados. Ele era muito esquisito.
                “Sabe...” disse Josh . “As fêmeas me assustam, você sabia que elas produzem mais prolactina que os homens? É por isso que elas estão sempre chorando, a prolactina é o hormônio que faz as fêmeas chorarem! As mulheres são muito doidas, não acha?!”
                A garota de cabelos castanhos ficou assustada, por fim disse: -Olha, só estou aqui para pedir que entregue o meu número a Marvin. – Tirou então um pedaço de papel da bolsa , anotou o número e passou para Josh.
                “Por quê diabos você iria dar seu número a Marvin?” perguntou Josh Bobby, quase gritando. “Ele é magro, só vive com os cabelos bagunçados, não joga futebol e nunca bate em ninguém! Sem contar que o cara só fala em quadrinhos, desculpe- me, mas ele não é o seu tipo!”
                “Você realmente é esquisito...” observou Liana. Continuou:- A gente vai ter um feriado de três dias amanhã, faça de tudo para que seu amigo me ligue ainda hoje.- Do outro lado do refeitório, algum jogador de futebol gritou: - Ei, Liana! O que está fazendo com esse perdedor?! Agora quer transar com nerds negros, é?- e muitos garotos caíram na gargalhada com isso.
                Na noite, chovia muito, e Marvin estava em casa jogando vídeo-game, quando ouviu estranhos barulhos vindos do lado de fora. Seu quarto ficava no segundo andar da casa e ele tinha certeza de que alguma coisa estava batendo na janela do quarto.
                Assustou-se quando viu que era Josh. Desceu as escadas e abriu a porta para o amigo Geek. “Por que você não abria a porta?! Estava vendo vídeos pornôs no computador de novo?”
                “O que você tá fazendo aqui, Joshua? A moça do tempo disse pra ninguém sair de casa com esse temporal!”
                “Mano...” disse enquanto colocava seu casaco molhado em cima do sofá da família Neah. “Algo incrível aconteceu hoje! Aquela gata da Liana veio atrás de você, o número dela tá aqui em meu bolso.”
               

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